29 DE MARÇO DE 2010: CURITIBA 317 ANOS
segunda-feira, março 29th, 2010Eu sou curitibano e faço um esforço enorme para falar com meu vizinho. Me ensinaram que aqui na capital cinza quanto menos se fala, mais importante a gente parece ser.
Curitibano é um povo diferente. Outro dia fui caminhar por estas calçadas de petit pavê na chuva e me dei conta que estava andando devagar por dois motivos. Para admirar a beleza dos desenhos e por medo de escorregar. Nunca havia me dado conta de que este calçamento é liso e traiçoeiro. Mesmo assim, faço questão de andar pelos trajetos desenhados. E ouso dizer que Curitiba não seria a mesma sem eles. A gente tem uma mania de se orgulhar até dessas pequenas imperfeições. É como na mulher amada, até os defeitos a gente acha bonitinho…
E o transporte coletivo? Quem anda diariamente de ônibus na capital sabe das filas, do atraso, do pé de chumbo de alguns motoristas… Mas é só chegar um turista na cidade para o curitibano defender o transporte mais eficiente que se tem notícia… Falar mal do nosso filho? Jamais!
Trânsito lotado é coisa nova pra gente. Há vinte anos nem dava pra imaginar que um dia teríamos a maior frota de veículos por habitante do país. Hoje temos e ainda assim não aprendemos a usar os tais caminhos alternativos. Se uma rua está congestionada, não é raro encontrar uma paralela livre e tranquíla. É o preço pelo nosso jeitão metódico…
Se temos todas as estações no dia, mal sabemos o que vestir. Mas é só ficar quente demais para o curitibano reclamar… E se esfria, então? É mais mau humor para acizentar a cidade cinza! Um mau humor tão previsível que chega até a ser engraçado e amoroso.
Mais do que amor, o que eu sinto pela capital é do tipo permanente. Uma referência que faz parte da minha identidade. Um curitibano ali de Santa Felicidade que ainda coloca roupa nova para ir ao centro da cidade, caminha pela rua XV, as vezes meio bravo com o petit pavê, mas completamente encantado com cada janelinha de cada prédio…
Curitiba para mim é mais do que uma capital. É um estado de espírito. Para quem acha que somos frios e antipáticos, eu respondo: curitibano fala com poucas palavras e entende que o discurso sobre uma cidade também existe no silêncio.
Luiz Andrioli
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