Archive for janeiro, 2010

O carnê do IPTU e lógica do padeiro

segunda-feira, janeiro 25th, 2010

Sempre que chega o carnê do IPTU eu lembro dos tantos buracos que tenho que desviar nas ruas por onde passo. E lembro dos que ficam horas e horas no postinho de saúde a espera de atendimento. E das pracinhas que estão feias na foto… Enfim, se a cidade fosse comércio, eu não voltava mais lá! E isso vale para qualquer cidade brasileira.

Outro dia fui comprar pão e o padeiro me deu um desconto. É que o pãozinho ficou um pouco esfarelento. Ele não quis perder o freguês e assumiu o erro. Atenção prefeitos: sigam o exemplo do padeiro. Trabalhem de acordo com o dinheiro que investimos. Caso contrário, desconto no IPTU para o cidadão, ok?

Crônica de Luiz Andrioli veiculada no RIC Notícias segunda edição (Rede Record Paraná) em 09 de janeiro de 2010.

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ZILDA ARNS

domingo, janeiro 17th, 2010


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Zilda Arns em entrevista à rádio CBN de Curitiba em 1998 disse que não se considerava religiosa. Ouvi esta declaração no carro enquanto me dirigia para a TV onde trabalho. Seria um dia de muitas notícias tristes, como a rebelião em um presídio da região de Curitiba e a perda da fundadora da Pastoral da Criança.

Desde então, estou pensando sobre o significado da palavra “religião”. Para mim, sempre a associo a “religar” com o que em algum momento desconectamos. Acredito que Zilda Arns, mesmo sem se considerar uma religiosa, fez de sua vida um ato de religar pessoas aos valores que jamais deveríamos ter deixado de lado. O principal deles é o respeito pela vida. Tenho a absoluta certeza de que o mundo espiritual traçou um plano para esta senhora de voz doce, inclusive para o seu desencarne. Não foi um mero acaso o fato dela ter  passado seus últimos momentos de vida no sofrido Haiti, o país mais pobre das Américas.

Fica aqui o meu profundo agradecimento para esta grande mulher.

***

“Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe dos predadores, das ameaças e dos perigos e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los”.

Parágrafo final da última palestra da Dra. Zilda Arns Neumann

Haiti, 2010

Crônica para o RIC Notìcias segunda edição de 16 de janeiro de 2010, RICTV, o seu canal Record no Paraná.

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O SILÊNCIO DE DALTON

terça-feira, janeiro 12th, 2010

O vampiro de Curitiba não fala com a imprensa. Dalton Trevisan foge da mídia como o nosferatu corre da cruz. Tenho estado em busca das repostas deixadas pelo silêncio de Dalton Trevisan. Faço desta peregrinação uma dissertação para o mestrado em Literatura da UFPr. Com a benção dos bons espíritos (e ainda muito trabalho), devo encerrar o texto nas próximas semanas.

Por enquanto, fica aqui uma entrevista que Dalton concedeu ao jornalista Jorge Narosniak na década de 1960. O Narosniak continua na ativa, é hoje um excelente produtor de TV na RPC, afiliada da Rede Globo aqui na terra das araucárias. Gente fina! Na redação onde trabalha, gentilmente ele me contou como foi o encontro insólito com o Dalton, mediado por Rubem Braga. Imaginem a qualidade da mesa: o mestre do conto junto do mestre da crônica.

E eu, guardadas as devidas proporções,  sigo aqui espancando o teclado para terminar meu mestrado!

A entrevista de Dalton Trevisan para o jornalista Jorge Narosniak

A entrevista de Dalton Trevisan para o jornalista Jorge Narosniak

Abaixo segue um trecho da minha dissertação, cujo nome é “O silêncio de Dalton”.

(…)

No romance de Bram Stoker, o homem que em poucas horas irá visitar o lendário Conde da Transilvânia tenta reunir informações a respeito do seu anfitrião antes de chegar ao destino final. Jonathan Harker chega a anotar em seu diário a dificuldade que teve em coletar detalhes com o povo local, todas escusos e temerosos em prestar informações. “Quando indaguei se conhecia o conde Drácula e se poderia me adiantar alguma informação a respeito do seu castelo, os dois – marido e mulher – se persignaram, insistindo em afirmar total ignorância, e se recusaram a prosseguir falando desse assunto”(STOKER, 2002, p. 12).

Fenômeno praticamente idêntico se dá quando nos debruçamos em uma análise mais apurada a respeito de Dalton Trevisan na imprensa. Além de proteger sua imagem dos holofotes fáceis da mídia, o autor também parece fazer pairar uma aura de mistério que atinge também seu círculo de amizade. Quem se arrisca a falar a respeito de Dalton, parece sempre falar com um cuidado de quem está sob a sombra ameaçadora do Vampiro. Falam sobre a obra, sobre a lenda, jamais sobre o homem Dalton. É um mistério certamente trabalhado por sugestão do autor, sob a sutil ameaça de que qualquer transgressão pode ser punida com o rompimento do vínculo de amizade. Ou pior: com a imortalidade, colocando o infrator do pacto não verbalizado como personagem de um de seus contos, o que não costuma acontecer de forma elogiosa, há que se ressaltar. Esta última forma seria a verdadeira “vampirização” possível de ser aplicada pelo autor curitibano? Sugar o sangue de quem se aventura a descortinar as intimidades e fazer do transgressor o alimento de sua vida obscura?

(…)

em tempo: vampiros estão na moda. Tô nem aí pra eles. Entre o modismo e o Daltonismo, fico com este. Desprezo aquele.

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A CAPIVARA E O JACARÉ

sábado, janeiro 2nd, 2010

Curitiba tem um jacaré que fez fama no parque Barigüí. E tem umas pacas no mesmo lugar que vez ou outra fogem para os bairros. Eu acho que eles combinam estes movimentos silenciosos para tomar o espaço que já tiveram…

A fuga da capivara aconteceu na mesma semana do protesto da moradora que ficou nua em frente do mercado “devastador de árvores” da região onde moro aqui na capital. A protestante chama-se Salete Arruda, sexóloga gente boa e engajada. Quem registrou o flagrante (e cedeu gentilmente a imagem) foi o Jonas Oliveira, do Jornal do Estado.

Crônica de Luiz Andrioli veiculada no RIC Notícias segunda edição (Rede Record Paraná) em 28 de novembro de 2009.

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