O vampiro de Curitiba não fala com a imprensa. Dalton Trevisan foge da mídia como o nosferatu corre da cruz. Tenho estado em busca das repostas deixadas pelo silêncio de Dalton Trevisan. Faço desta peregrinação uma dissertação para o mestrado em Literatura da UFPr. Com a benção dos bons espíritos (e ainda muito trabalho), devo encerrar o texto nas próximas semanas.
Por enquanto, fica aqui uma entrevista que Dalton concedeu ao jornalista Jorge Narosniak na década de 1960. O Narosniak continua na ativa, é hoje um excelente produtor de TV na RPC, afiliada da Rede Globo aqui na terra das araucárias. Gente fina! Na redação onde trabalha, gentilmente ele me contou como foi o encontro insólito com o Dalton, mediado por Rubem Braga. Imaginem a qualidade da mesa: o mestre do conto junto do mestre da crônica.
E eu, guardadas as devidas proporções, sigo aqui espancando o teclado para terminar meu mestrado!

A entrevista de Dalton Trevisan para o jornalista Jorge Narosniak
Abaixo segue um trecho da minha dissertação, cujo nome é “O silêncio de Dalton”.
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No romance de Bram Stoker, o homem que em poucas horas irá visitar o lendário Conde da Transilvânia tenta reunir informações a respeito do seu anfitrião antes de chegar ao destino final. Jonathan Harker chega a anotar em seu diário a dificuldade que teve em coletar detalhes com o povo local, todas escusos e temerosos em prestar informações. “Quando indaguei se conhecia o conde Drácula e se poderia me adiantar alguma informação a respeito do seu castelo, os dois – marido e mulher – se persignaram, insistindo em afirmar total ignorância, e se recusaram a prosseguir falando desse assunto”(STOKER, 2002, p. 12).
Fenômeno praticamente idêntico se dá quando nos debruçamos em uma análise mais apurada a respeito de Dalton Trevisan na imprensa. Além de proteger sua imagem dos holofotes fáceis da mídia, o autor também parece fazer pairar uma aura de mistério que atinge também seu círculo de amizade. Quem se arrisca a falar a respeito de Dalton, parece sempre falar com um cuidado de quem está sob a sombra ameaçadora do Vampiro. Falam sobre a obra, sobre a lenda, jamais sobre o homem Dalton. É um mistério certamente trabalhado por sugestão do autor, sob a sutil ameaça de que qualquer transgressão pode ser punida com o rompimento do vínculo de amizade. Ou pior: com a imortalidade, colocando o infrator do pacto não verbalizado como personagem de um de seus contos, o que não costuma acontecer de forma elogiosa, há que se ressaltar. Esta última forma seria a verdadeira “vampirização” possível de ser aplicada pelo autor curitibano? Sugar o sangue de quem se aventura a descortinar as intimidades e fazer do transgressor o alimento de sua vida obscura?
(…)
em tempo: vampiros estão na moda. Tô nem aí pra eles. Entre o modismo e o Daltonismo, fico com este. Desprezo aquele.