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DE THALITA REBOUÇAS A MACHADO DE ASSIS…

terça-feira, outubro 28th, 2008

É bom saber que os livros têm um espaço nas bolsas destas adolescentes que tanto se identificam com a escritora Thalita Rebouças. Como falo na reportagem abaixo, é uma proeza levar este público ao shopping para um bate-papo com uma autora de livros.

Jovens leitores… É justamente neste ponto que gostaria de chegar. Ou melhor, é este status que eu espero que a garotada que está lendo a autora de fato adquira.

Parece chavão, certamente outros já falaram isso com mais ou menos propriedade que eu. Mas é preciso criar o hábito de leitura. Precisamos mostrar para os adolescentes que é possível se divertir na introspecção. Além da TV, cinema, shopping, internet, festa com amigos e outras atividades tão comuns para eles, a companhia de um livro pode ser tão ou mais prazerosa. E para quem consegue dar este recado, eu aplaudo em pé. Sempre. Independente da qualidade que a crítica ou a academia lhe confira no momento.

Eu, que hoje me considero um leitor razoavelmente interessado, confesso que na adolescência por estas mãos passaram alguns títulos que fariam alguns críticos torcerem o nariz. Ainda hoje algo parecido acontece, por vezes. Além de todos os conflitos e agruras dos teenagers, sabemos que este público sofre com a falta de títulos específicos. E é neste momento que podemos perder bons leitores: na lacuna entre a extensa produção para crianças e o farto universo de títulos para os adultos. Ainda não sabemos bem o que escrever para os adolescentes. Quem sabe, leva os louros… E merecidos, afirmo! No meu caso, acredito que me mantive como freqüentador do mundo literário por dois motivos:

1 – me apeguei em alguns livros que mantiveram o prazer da leitura, alguns, fora do cânone literário.

2 – (o mais importante) tive bons professores.

Quanto ao primeiro motivo acima, penso que a jovem Thalita Rebouças cumpra e muito bem o seu papel. Quem a lê, pelo o que vi, gosta. E isso é bom para a formação do leitor.

Sobre o segundo motivo (que me fez ser este escriba inclusive), rogo para que as leitoras que trato aqui tenham também seus bons mestres. Leitura não nasce de geração espontânea. Precisamos ser guiados no grande e as vezes escuro bosque da ficção, que Umberto Eco me dê licença para usar a sua matáfora. Digo isto pelo papo que tive com uma das fãs e leitoras da escritora que conheci no dia reportagem. Perguntei para ela o que lhe atraia nos livros da Thalita Rebouças. Ela disse que eles falavam “coisas de agora” e que odeia ler livros que não entende, como o tal do “imortal do Machado de Assis”. Em respeito à memória do nosso caro Joaquim, e por tudo que ele representa para nós, deixei esta parte de fora da reportagem.

Claro, a garota certamente não tem idéia do que falou. Mas torço para que pinte na vida dela um bom professor que saiba fazer a ponte entre o seu mundo, tão bem trabalhado ficcionalmente pela autora que ora idolatra, com o universo do nosso mais célebre escritor. O prazer da leitura nasce das conexões, do entender que o que foi escrito há mais de cem anos fala ao ser humano de qualquer tempo, desde que tais letras tenham sido grafadas com profundidade e talento. O mundo não se resume ao que se fala em um shopping. Para que nosso espírito continue sendo alimentado com doses generosas de poesia, há que se fazer vôos mais longos e imprevisíveis. Dos professores que passaram pela minha vida, ficou a coragem para arriscar e olhar acima da poeira e do mofo que muitas vezes os adolescentes acreditam estarem arraigados em alguns títulos “imortais”.

Coragem, jovem leitora. Coragem! A prateleira é grande e há muito mais do que está agora em suas mãos! Leia com gosto o que fala diretamente sobre o seu universo, mas saiba que o seu mundo é grande e complexo. E tudo o que puder ser usado para falar a esta imensidão que é o seu ser, deve ser recebido de coração aberto.

* A reportagem foi ao ar no dia 27 de outubro de 2008 na RICTV, afiliada da Rede Record no Paraná. Repórter Luiz Andrioli, imagens de Ivan Pereira e edição de Vanessa Brollo.

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