Toda a copa do mundo tem seus personagens. Larissa Riquelme mostrou sua beleza latina (turbinada) para o mundo. Penso como os japoneses: mesmo que efêmera, a beleza deve ser admirada. Assim como fazemos com a florada das cerejeiras nesta época do ano…
Não tem como colher um pinhão de uma araucária sem que ela decida que é hora disso acontecer. Ela joga a semente no chão quando bem deseja. E o Homem se abaixa para pegar: símbolo da humildade e reverência que nós devemos para estas árvores. Sempre me sinto feliz embaixo de um araucária. Sei que estou sob a sombra de uma vencedora.
De quatro em quatro anos a camisa verde e amarela sai da gaveta. E com ela, aquela vontade de se amar um país… A Copa é a desculpa que faltava.
O espírito “Pra frente Brasil, salve a seleção” rendeu duas crônicas. Em uma delas, a sugestão de que Dunga é curitibano. Na outra, um brevíssimo ensaio sobre esta paixão canarinho que brota nesta época. Lembra daquela musiquinha “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo… Meu coração é verde amarelo branco azul anil”. Cantei muito lá no velho Imaculada Conceição, em Santa Felicidade.
Algumas palavras sobre o amor… Do marido que se encontra dentro do bolo ao locutor casamenteiro do Clube dos Solitários de Curitiba. Crônica para o 12 de junho, dia nos namorados…
Para quem vive de palavras, é o silêncio que grita mais. Sim, tenho pensado muito no silêncio. Que o diga “O Silêncio do Vampiro”.
Wilson Bueno, escritor dos bons aqui da terrinha, foi silenciado da pior forma possível no fim de maio. E naquela semana foi junto a minha vontade de escrever uma crônica. O resultado: este manifesto “Hoje não tem crônica”, veiculado no RIC Notícias de 05 de junho de 2010.
No fundo, claro, uma crônica. Mas como diz a balconista da panificadora que me atende lá perto da TV: “desta vez você preferiu o silêncio, não é?”. Acho que vou pedir um parecer dela sobre minha dissertação. Foi um dos melhores comentários que já ouvi sobre o que venho escrevendo…
Outra percepção que me deixou muito feliz foi um belo e.mail da professora Helena Batista, de Cornélio Procópio. Ela está no PDE ( Programa de Desenvolvimento Educacional) do Paraná. Neste programa, que é da Secretaria de Educação, o docente fica 1 ano fora das atividades da Escola para estudar e escrever um projeto de aplicação na sala de aula. Seu projeto trata do GÊNERO CRÔNICA E A UTILIZAÇÃO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS: uma proposta de uso de blogs e wikis para dar visibilidade à produção da escrita na escola. Fiquei fã do projeto dela e me comprometi a ajudar no que for possível. Como falamos, foi a morte do Wilson que nos aproximou. Eu tenho certeza de que ele está feliz com o nosso encontro, já que o objetivo maior é trazer mais jovens para o universo mágico da leitura. Em breve ela deve colocar na net a produção dos alunos.
Passei bons momentos da minha infância no balcão da farmácia do meu pai. O Seu Osvaldo está lá ainda na Farmácia Andrifarma (de Andrioli). Fica no finalzinho de Santa Felicidade, o mais curitibano dos bairros.
Por aqui estão as lembranças que marcam este escriba de meia idade. Uma delas era o prazer de decifrar a letra dos médicos nas receitas que chegavam no balcão. Conforme conseguia entender o que eles diziam em seus garranchos, me sentia mais apto ao tal mundo dos remédios. Pouco a pouco, fui me interessando mais pela “letra” (em seu amplo sentido) do que pela “cura prometida”. Acho que naquelas receitas buscava mais a palavra do que o remédio. Mais tarde fui entender que eles podem ser sinônimos. Mas isso é papo para outra história…
O pai não formou um filho farmacêutico, bem que ele queria. Mas com estas e outras experiências, fez brotar um escritor.
Dalton Trevisan não fala com jornalista, não dá entrevista. E nem precisa. Com seu comportamento recluso, transformou-se no mais perfeito personagem, sem digitar sequer uma letra nos jornais. É o Silêncio do Vampiro, tema da minha dissertação de mestrado que devo defender em semanas. Rendeu também esta crônica, veiculada no último dia 15 de maio no RIC Notícias, Rede Record no Paraná.
A edição de imagens (primorosa, diga-se de passagem) é do companheiro Paulo Curtis. As fotos de Curitiba são do grande Nego Miranda. Elas podem ser conferidas em uma exposição e no livro “A Eterna Solidão do Vampiro”.
Em 07 de maio de 2009 dois jovens perderam a vida de uma forma trágica. Gilmar Yared e Carlos Murilo de Souza foram vítimas de uma condução irresponsável de um deputado estadual bêbado. Isso aconteceu a algumas quadras da janela de onde escrevo esta crônica.
Passado um ano, fiquei a pensar nas mães destes jovens, que passariam o segundo dia das mães convivendo com a dor. Sei que a mídia, depois de um tempo, tira o foco do sofrimento das famílias. Mas a tristeza deles continua lá, esperando que a justiça lhes dê uma resposta…
Minha mãe aprendeu a dirigir me levando no banco de trás do carro. Conduzia com a calma de quem não quer despertar o sono de uma criança. Gostaria que o deputado bêbado e tantos outros motoristas aprendessem com ela o que é direção defensiva.
Expresso aqui os meus sentimentos para com as famílias das vítimas. Compartilho com elas o desejo por justiça.
Paz no trânsito, por favor…
A crônica foi ao ar no RIC Notícias de 08 de maio de 2010, sábado anterior ao dia das mães, um ano e um dia depois do acidente.
Aqui do meu apartamento era possível escutar um violino sendo tocado. No elevador, outro dia, descobri que a música era parte da rotina de estudo de uma jovem musicista. Ela talvez nem saiba, mas as suas lições embalaram algumas crônicas deste jovem escriba.
Alguns moradores reclamaram da sinfonia. Eu reclamei dos reclamões, defendi a vizinha e seu violino. Prefiro os acordes da mocinha do que o barulho da rua que me invade pela janela. Acho que fui voto vencido. Não sei bem qual foi o motivo, mas a garota acabou se mudando, o que deixou as tardes no prédio menos agradáveis…
Há uns quinze anos Hélio Leites me deu um botão que é rosto de um palhaço desenhado. Foi quando comecei a pesquisar a família Queirolo, o que resultou no livro “O Circo e a Cidade“. Ainda tenho o botão guardado. Como é um adesivinho, está guardado na minha carteira. Quando eu te encontrar na rua posso mostrar. Por enquanto, fique com a crônica sobre o Significador de Insignificâncias, como diria o Paulo Leminiski.